Olá seres extra-planares, psiônicos e interdimensionais.
Hoje trago mais um texto daqueles curtos/diretos.
Espero que gostem. Não esqueçam de comentar, seja psiquicamente, seja por sonhos em estados de consciência duvidosa... Ou mesmo, pela caixinha de texto que fica lá no fim da página? Vocês conhecem ela?!
Abraços.
Carlos e as religiões
Carlos nasceu Católico porque assim sua mãe lhe ordenou.
Quando completou 12, achou que algo estava muito errado.
Nada de realmente bom havia lhe acontecido.
Mesmo ele indo todos os domingos a igrejinha do bairro, sempre contribuindo com o que podia e sendo uma boa pessoa.
Carlos era pobre. Muito pobre. Como a maioria dos cristãos.
Morava em um barraco em cima do morro.
Sabia que havia algo de errado com a religião que seguia.
Nada do que pedia em orações lhe era concedido.
Uma vez disse a sua mãe que achava que Deus não existia.
Levou uma surra.
Mas mesmo a surra não foi capaz de arrancar-lhe essa dúvida.
Dois anos depois, após sua mãe morrer doente, na porta do hospital, por ninguém querer atendê-la, Carlos decidiu tomar uma decisão importante na vida:
Iria correr atrás de um deus verdadeiro!
Seja lá onde ele estivesse.
Foi na Universal, mas acharam que ele era trombadinha. Nem chegou a entrar na igreja.
Desistiu da ideia de ser cristão.
Já que não era aceito na própria igreja, nunca seria aceito no céu.
Recorreu a macumba.
Mas quando levou a farofa de ovo pra encruzilhada, ao invés de oferecer aos Exus, comeu. Era o único alimento que tinha conseguido em três dias.
Ouviu falar de Espiritismo.
Mas quando teve sua primeira seção com sua mãe falecida, ela mandou o jovem criar vergonha na cara e deu-lhe mais uma surra por ter saído da igreja.
Decidiu ser mais extremo, foi atrás do Satanás.
Mas só encontrou o assistente.
O Seu Toninho parecia ser gente boa, mas também morava num barraco.
Concluiu que o capiroto era tão egoísta quanto Deus.
Virou ateu.
Mas era chato não poder por a culpa em ninguém.
Foi então que conheceu o canela seca*.
Era de metal.
Feio, pesado e enferrujado.
Mas quando carregava ele na cintura, era como se o mundo melhorasse ao seu redor.
Tinha poder.
Poder que nenhum deus havia lhe concedido antes.
E a única oração que precisava fazer era:
“Perdeu, playboy!”.
*vide:canela seca
Carlos é o herói da nação falida.
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