quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Intimidade. Intimo. Intimidar.


Eu escrevi esse texto, em menos de dez minutos, o que é bem raro, porque normalmente penso muito antes e durante a escrita. Foi como se eu ja tivesse ele todo na cabeça e apenas repassasse pro papel. É bem emotivo, por isso me envergonho.
Mas todos nós temos momentos "emos", o problema é fazer desse momento uma vida toda.
Sem falar que tou naqueles momentos de "Seca Mental", em que nenhuma idéia boa surge...
Então pra não manter o blog parado resolvi postar... Vai ver alguem pode até gostar.

E só.


Intimidade. Intimo. Intimidar.

Moça:Eu te odeio.
Rapaz:Por quê?
Moça:Porque não me amas.
Rapaz:Por que deveria te amar?
Moça:Porque te amo, ingrato!
Rapaz:Por que me ama?
Moça:Porque sou tola, e teus encantos me cegaram.
Rapaz:Os meus encantos?
Moça:Sim. É dificil perceber, mas você tem qualidades.
Rapaz:Eu gosto de você por gostar de mim.
Moça:Isso é mentira.
Rapaz:Por que?
Moça:Não se pode amar por piedade.
Rapaz:Não é piedade é gratidão.
Moça:Ainda não é amor.
Rapaz:Sou fiél. Sou grato. Sou sincero. Não basta?
Moça:Não, já tenho um cachorrinho com essas qualidades.
Rapaz:Terás um homem de verdade.
Moça:Antes um moleque apaixonado do que um sábio indiferente.
Rapaz:Então conquiste-me.
Moça:Por quê?
Rapaz:Quero aprender a te amar.
Moça:"Aprender"? Amor não é uma materia de escola.
Rapaz:Eu quero. Eu desejo... Isso já não é uma prévia de amor?
Moça: Desejos passam...
Rapaz:Então me faça te querer pra sempre.
Moça:Como?
Rapaz:Eu não sei... Estou longe de um velho sábio.
Moça:Muito menos de um moleque apaixonado.
Rapaz:Então me odeie.
Moça:Te odiar?
Rapaz:Sim. Transforme esse amor em ódio, cuspa em minha face!
Moça:Você é repulsivo!
Rapaz:Sou um monstro sem coração. Odeie-me com todas as suas forças.
Moça:Você é louco!
Rapaz:Como pôde se apaixonar por mim sua tola?!
Moça:Eu não sei!
Rapaz:Então me odeie.
Moça:Seu idiota!
Rapaz:Me odeie.
Moça:Idiota...
Rapaz:Me odeie.
Moça:Idiota...
Rapaz:Me odeie o quanto puder!
Moça:Seu idiota!
Rapaz:Me odeie!
Moça:Eu te odeio! Seu monstro!
Rapaz:...
Moça:...[lágrimas]
Rapaz:O ódio lhe dói?
Moça:Sim...
Rapaz:Mais que o amor?
Moça:Sim...
Rapaz:Levante a cabeça e me olhe.
Moça:Cale a boca...
Rapaz:Olhe pra mim.
Moça:Não!
Rapaz:Queres que eu te ame?
Moça:Não sei...
Rapaz:Olhe pra mim...
Moça:Me deixa...
Rapaz:Quer que eu te ame?
Moça:Quero...
Rapaz:Diga em voz alta.
Moça:Eu quero que vocẽ me ame! Droga!
Rapaz:Então olhe pra mim.
Moça:Não consigo...
Rapaz:Diga que me ama, olhando nos meus olhos.
Moça:Não posso encarar esse olhos frios...
Rapaz:Diga!
Moça:Eu te...
Rapaz:...[lágrimas]
Moça:Por que choras?
Rapaz:Vê você me odiar, dói.
Moça:Mentira... Por que choras?
Rapaz:Porque eu a quero para sempre.
Moça:Mentira. Porque choras?
Rapaz:Porque não quero te perder.
Moça:Mentira, mentira! Por que choras?
Rapaz:Porque tem algo no meu peito doendo.
Moça:Por que que choras?
Rapaz:Porque...
Moça:Por que choras?! Diga-me!
Rapaz:Porque te amo.
Moça:Mentira.
Rapaz:Amo mais que tudo.
Moça:...[choro]
Rapaz:..
Moça:É a primeira vez que te vejo chorar.
Rapaz:É a primeira vez que sinto amar.


-fim-


por: Hassã.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Por não sentir


É o seguinte... Aí vem mais um conto. Coisa de macho. Sem muitas frescurinhas. Do jeito que gosto.

Divirta-se.



Por não sentir

capitulo 1

Havia deicidido morar só... E agora arcava com as consequências.
Ainda me pergunto porque tomei essa decisão, já que não havia motivo pra querer sair da casa de meus pais.
Não, isso é mentira...
É claro que havia um motivo... Não necessariamente um bom motivo.
Só queria sentir a independência. Queria cuidar de mim mesmo sem a ajuda de ninguém. Algo como ter o controle da minha vida.
Não me considero um garoto mimado, mas se esse for o caso, isso será arrancado de mim com certeza. Morar só amadurece um homem de um jeito ou de outro, mas principalmente faz com que ele reflita bastante sobre cada passo dado e perceba o verdadeiro mundo ao seu redor.
Sim... Eu refleti sobre tudo isso e muito mais. E o motivo pelo qual eu tenha deixado a mordomia da casa de meus pais, é porque, talvez, eu seja um caçador de novas experiências, um caçador de novas emoções e sensações.
Um caçador, principalmente.
Sim, é uma boa definição.
Foi por causa desse instinto, que fiz várias coisas meio malucas em minha vida. Exemplos: namorei uma lésbica, pulei de uma ponte, ja fui punk, fumei maconha, me escrevi no clube de literatura, tenho uma banda, já pilotei um avião, andei de skate, dirigi um filme e um caminhão, atropelei um porco... Enfim, coisas normais, que provavelmente já aconteceram com você, ou com alguém que você conheça.
Mas não sou impulsivo, normalmente todas as minhas ações são premeditadas. O problema é o tempo que levo pra premeditá-las, algumas levam semanas ou meses, enquanto outras levam menos de dois segundos para serem analisadas... O que posso dizer? Penso rápido.
Tambem nunca amei. Sou frio. Tanto, que chego a ser hostil.
Mas como disse, estou morando só, e sofrendo bastante por isso.
Enfrentava dificuldades fincanceiras, já que meu trabalho ainda era próvisório e mal remunerado.
Tenho apenas vinte e um anos de idade, estou no ultimo semestre da faculdade.
Talvez um outro motivo de ter saido da casa dos meus pais seja porque tenho mania de independência... Meu ego é bem grande. Sofro por causa disso. As vezes acho que só sofro.
Então, é hora de explicar como minha vida mudou. Assim, sem coisas absurdas, sem extra-terrestres ou super-poderes, sem viagens pelo espaço e tempo. Apenas mudou...
Em um dia quente de verão fui ao centro da cidade, negociar uma conta atrasada.
Depois de praticamente ter que dar minha alma aquele vendendor filho da puta, voltava pra casa. Caminhava calculando mentalmente as dívidas, os cortes que teria de fazer e tudo mais. E não importa quantas economias eu fizesse, o numero no final da conta continuaria negativo.

Capitulo 2

De repente algo chamou minha atenção: uma garotinha, de uns quatro ou cinco anos, remexendo no lixo de uma casa. Estava junto a mãe, que fazia a mesma coisa.
A menina tinha os cabelos castanhos e a pele clara queimada pelo sol, e mesmo coberta de sujeira possuia uma meiguice incrível. Já a mãe, parecia uma bruxa, com vestes negras e um olhar amargo.
Vi a menina pegando um tomate cheio de bichos e guardando em uma sacolinha que carregava.
Aquilo me doeu no coração. O cheiro de podridão e a imagem da menina disputando restos de comida com os nojentos vermes...!
Por impulso puxei-a pra junto de mim, a mulher nem pareceu ter ligado. A garotinha ficou imóvel, como se estivesse fraca demais pra fazer qualquer coisa. Tentei chamar atenção da bruxa:
-Ei! Senhora...!
Ela me olhou com o canto dos olhos, mas não parou de catar o lixo, ao perceber que ela continuaria me ignorando comecei a falar com tom de sermão:
-Tira essa garota desse lixo, isso não é lugar pra ela.
A bruxa continuou a fingir que não era com ela.
Puxei minha carteira e propus:
-Olha aqui... Te dou esse dinheiro se você tirar ela do lixo.
Só agora a senhora parou e me deu atenção. Veio até mim, e começou a falar demonstrando ter pouco, ou nenhum estudo:
-Nós não tem escolha... Se num fizer isso nós num come.
-Tudo bem senhora, eu entendo. Mas sua filha devia tá estudando! Pega aqui o dinheiro...
-Muito brigado filho... Deus te paga.
-Mas por favor senhora, num deixa a criança nesse lixo!
Olhei pra menina, ela parecia não entender o que tava acontecendo, parecia distraída, era engraçada a forma como olhava para o nada.
Eu não sei exatamente porque fiz aquilo, acho que foi o momento, mas nada de impulsividade, foi uma daquelas decisões em que penso rápido, decido e executo.
Quase cheguei a me arrepender quando abri minha carteira e vi que aquele dinheiro me seria muito útil mais tarde, mas algo em minha cabeça (sim, minha cabeça, não meu coração...) dizia que eu tinha que fazer aquilo.
Logo depois entreguei o dinheiro e me virei, andei uns quinze metros, pensava em como poderia ganhar um dinheirinho extra, talvez me redimir para o meu pai? Não! Jamais! Não poderia me humilhar diante do coroa... Tinha que me mostrar forte.
Do nada levei um susto.

Ouvi um carro freiando bruscamente.
Os pneus lamberam o asfalto e grunhiram feito um animal selvagem.
Logo depois o estrondo.
O metal acertando carne.
O grito de uma menininha.
Olhei para trás com o susto.
Vi um corpo no chão e uma garotinha chorando.

Capitulo 3
Muita gente se aglomerou naquele momento. Eu ainda não sabia o que tinha acontecido ao certo, mas agora estava ao lado da senhora bruxa. A velha caída no asfalto e de olhos arregalados, lutando por oxigênio, muito sangue em suas roupas e vazando por sua boca.
Ela lutava por cada gota de oxigênio. Por cada suspiro a mais.
Até que parou.
Em poucos minutos vi aquele corpo parar de se mover. Vi aqueles pulmões pararem de bombear ar. Vi aqueles olhos grandes perderem todo o brilho de uma vida cansada e frágil.
Estava morta.
Era dia.
10:18 da manhã de terça.
E os dez reais ainda estavam na mão dela.

Capitulo 3
A ambulancia chegou, e levou o corpo. O motorista do carro, muito nervoso, me deu o telefone dele. A garotinha, estava comigo. Agarrada a mim. Com os olhos sujos e vermelhos.
Naquele momento fiz uma escolha.
Não dessas que você faz em supermercado pra saber qual sabonete vai levar.
Uma decisão importante.
Não dessas que decidem a noite com a mulher certa em uma festa.
Algo que realmente importava.

Ela ficaria comigo.

E meu salário ordinário teria que aguentar.
Meu coração parecia que ia explodir de tão rápido que batia, mas tudo parecia está em câmera lenta.
Droga! Ainda eram dez da manhã...! E eu ja tinha feito a escolha mais importante da minha vida.
O que diria pras pessoas? Pra minha mãe? E o meu trabalho?
E os outros parentes da garotinha? Será que procurariam-na? Ou eu devo procurá-los?
Milhões de duvidas a mente. Apenas uma certeza: ela continuaria comigo.
-Você vem com a gente ou não?
A voz do negro homem da ambulância me trouxe de volta ao pesadelo. Já haviam colocado o corpo dentro do carro, então entramos.
A garotinha continuava abraçada a mãe. Os homens ali do meu lado, agiam com frieza de quem vê a morte todo o tempo.
E conversavam com ela, calados.
Peguei meu celular, disquei alguns números e pus a arma apontada pra cabeça:
-Hoje não vou poder ir trabalhar... É, eu sei... Sim... Segura ele pra mim? Alivia minha barra... Claro, faço isso pra ti, sim... Tudo bem... Valeu cara.
Pronto, mais uma assinatura de óbito teria que assinar, a minha.

Capitulo 4

Imagine tão frio é uma sala de médicos, imagine tão frio é o silêncio da morte, imagine tão frio é o medo, imagine tão frio é a incerteza, imagine tão frio é a dor, imagine tão frio é o meu coração.
Imaginou?
Eu senti.
Naquela sala, onde o vento não soprava e o som não existia.
De repente tudo isso se fez quando o calor de uma mão tocou meu ombro, a voz disse:
-Já está tudo certo, pode ir pra casa.
Procurei a garota, ela dormia em uma cadeira.
Tão jovem, tão pequena. Me espantava essa tranquilidade, mas de tanto chorar deveria estar exausta.
Pra ser sincero não sei se ela entendeu o que aconteceu. Nesse pouco tempo que passamos juntos percebi que ela parecia não estar de espírito presente momento algum. Como se flutuasse, ou mesmo como se não vivesse. Apenas assistia a tudo a frente de uma tv, e sofria assim como um telespectador, as emoções que ali assistia e que envolviam suas personagens.
Deitada ali naquela cadeira, tão tranquila, tão calma.
Será que ela sabia que a vida dela agora tinha um rombo? Um buraco gigantesco.
A velha não podia ser a melhor mãe do mundo, mas era mãe.
Lembrei da minha.
De repente pensei na possibildade de um pai, para a menina... Sim, talvez em algum lugar, um pai esteja desesperado a procura da filha.
Mas talvez não... Talvez o velho ja esteja morto, talvez nem ligue.
Suposições, era tudo que eu tinha naquela hora.
Não sentia nenhum pingo de tristeza, ou raiva, ou medo. Apenas um vazio.
Mentia pra mim mesmo fingindo acreditar que não sentia nada porque não eram pessoas próximas. Encobrindo minha desumanidade.
A garota me trouxe um traço dessa tal de humanidade, mesmo que ainda meio tímido. É exatamente por isso que ela está comigo agora, porque eu vi nela, algo parecido com um sentimento bonito.
Algo que pareceu perfurar toda minha frieza e tocar em minha alma.
Então a escolha mais importante da minha vida estava feita.
Era tarde pra qualquer tipo de remorso.
Peguei fôlego, como quem puxa um galão de ar para os pulmões, pois vai afundar no mar em um mergulho. E como eu disse, não sinto medo, mas apenas uma pequena sensação de mal estar, por saber que talvez este não seja o melhor para a criança.

Capitulo 5

-Graças a Deus!
Ouvi uma voz grave tomando conta do local acompanhada de passos rápidos, logo vi quem provocava o distúrbio naquela trincheira silenciosa. Era um homem calvo, de idade bem avançada, rapidamente tomou a pobre menina nos braços e a abraçou forte. Ela acordou e respondeu ao abraço com entusiasmo:
-Oi vovô.
Olhei fixamente para o velho. Analisando-o.
Tinha a barba mal-feita, olhos tristes, roupas velhas... E apertava a menina de um jeito que só um pai faria. Fiquei ali imóvel, sem reação. O que eu poderia fazer?
Ele se voltou para mim e com lágrimas nos olhos, disse:
-Obrigado... Obrigado por cuidar dela!
Tentei dizer algo, mas palavras não saíram da minha boca. Ele continuou:
-Um amigo viu o que aconteceu e foi correndo me avisar, então vim o mais rápido que pude! De repente a doce menina se deu conta de seu pesadelo real:
-Vô, cadê a mamãe?
Aquela frase cortou todo meu suprimento de ar, o velho respondeu chorando ainda mais com o rosto escondido na menina.
Foi nessa hora que me dei conta:
Ali já não era mais o meu lugar.
Algum tempo depois eu expliquei tudo o que aconteceu, e ele me disse que eram de uma familia muito pobre, que a aposentadoria não ajudava muito, que o pai da garota morreu a muito tempo... E que moravam de favor, na casa de um parente.
Ele me deu o endereço, disse que eu podia visitá-la quando quisesse, e me prometeu que nunca mais a garota iria trabalhar. Agradeci.
Dois dias depois fui no funeral da bruxa. Depois na missa de sétimo dia.
Em seguida fui a casa deles, porque arrumei uma bolsa em um ótimo colegio para crianças da idade dela, e de repente virei amigo daquela familia de três pessoas. Conheci a senhora Lurdes, irmã do velho.
De repente ia lá uma vez por semana, e gostava disso.
Gostava da forma com que o senhor Arnaldo, avô de Clarinha, conversva comigo, sempre muito interessado em minha opinião.
Gostava das travessuras de Clarinha, mesmo quando estragavam três dias de trabalho duro.
Curtia os jantares em que Clarinha me enchia de perguntas sobre tudo, ela dizia que eu era o homem mais inteligente do mundo, porque eu sabia tudo!
Como a aprovação de uma garota de 3 anos, podia me dar tanta satisfação? Eu jamais entendi.
Sinceramente... Eu ainda continuava uma pessoa vazia.
Mas tudo naquela menininha me dava fôlego pra viver. Por ela eu fingia um sorriso até pro meu chefe quando mandava a gente trabalhar nos fim de semana.
Com ela aprendi a sorri. Mesmo que fingindo.

-fim-