Me desculpem, me desculpem...
Sei que demorou bastante pra essa parte sair...
Maaaaas...
...Pelo menos saiu, né?
Então, que posso dizer a vocês: Leiam esta bagaça e pronto.
Obrigado e boa leitura.
Ínfinus
Parte 7
Desespero, agonia... E vice versa.
...
Uma sala escura.
Um jovem acorrentado.
A desnutrição é clara em sua aparência medonha, assim como a desidratação, que salpicava em sua pele.
Aquele odor vomitante...
Necessidades básicas que foram suportadas até que somente a pura necessidade lhe tomasse o corpo.
Horas... Dias... Semanas... Não havia nenhuma noção de tempo.
Agora a sensação de “quase-morte” ia e vinha.
Nunca havia acontecido tantas e tantas vezes em tão pouco tempo... Bastava despertar de sonhos horríveis e agüentar poucos minutos de “lucidez” até cair de novo nesse estado.
Agonia insuportável.
Desespero interminável.
Desejei morrer várias vezes. Pra falar a verdade, nunca desejei tanto algo em toda a vida.
E em alguns momentos de delírio, gargalhei ao meu amigo fantasma, minha mente não mais me controlava.
E Eduardo sabia que eu não estava bem... Mesmo sendo imortal, aquilo lhe preocupava.
Talvez um mal pior que a morte estivesse me tomando: a loucura.
Estar naquele estado por tanto tempo... Enlouqueceria a qualquer um.
E isso deixava Eduardo apavorado... A solidão... Aquela mesma que lhe dominou, quando sua alma foi tomada de seu corpo naquele dia...
O fato de não poder ser visto, ou mesmo notado.
Aquilo era tão frio, tão só... Não podia acontecer de novo. Não podia! Ele tinha que fazer algo, agora era a hora dele pensar, de ajudar o amigo. Mas o que um reles fantasma podia fazer? Sem nem mesmo conseguir sair do lugar?
Absolutamente nada.
Ele quis chorar, mas Eduardo não sabia mais como fazer isso.
Então quando a dor passava, eu sonhava.
Sonhava que estava em casa, que tudo estava bem.
Que dormia tranquilamente em minha cama, enquanto a TV ligada dizia algo sem nenhuma importância, os pôsteres colados nas paredes lhe faziam companhia, o som do computador tocava algo tranquilo e relaxante.
Como era bom estar em casa...
Então a dor me acordou bruscamente de novo.
Meus olhos mortos, não conseguia mais abri-los.
Não conseguia mais distinguir o real das ilusões que minha mente criava:
-Ah, não mãe... Hoje não vou pra escola. Por favor... Deixe-me descansar... Estou tão cansado... Tão cansado...
De repente as luzes acenderam aquilo me fritou as pálpebras como carne na chapa quente.
A sala agora iluminada parecia outro lugar. Como se a luz renovasse todo o local.
Eduardo então pode perceber o que lhe prendia, era um desenho no chão, uma espécie de circulo... Sempre que ele saía de dentro do circulo, uma força invisível lhe puxava de volta.
Magia! A vampira também era uma feiticeira.
Então logo em seguida entraram na sala dois homens, usavam aventais, carregavam utensílios de limpeza.
Rapidamente começaram a me limpar.
Eduardo não entendeu o que se passava, perguntou:
-Quem são vocês? O que está acontecendo?
Não obteve resposta alguma.
Logo em seguida a vampira surgiu na porta, observou os homens, como se fiscalizasse. Entrou na sala, me observou mais detalhadamente, nossos olhares finalmente se encontraram... E eu tive um devaneio, talvez uma lembrança, algo muito esclarecedor. Mas estava cansado demais pra ter algum tipo de reação. Em seguida a mulher ordenou:
-Ponham-no de pé.
Os homens me ergueram facilmente, um pedaço de couro vivo, agora mais limpo. Mesmo assim a vista ainda não deixava de ser horrível. Perguntou aos homens:
-Me parece fraco o suficiente, o que acham vocês?
-Sim, não conseguirá tentar nada.
-Ótimo. Preparem-no, o leilão começará em algumas horas.
Dita estas palavras, encarou o fantasma.
Eduardo ficou imóvel, aquela mulher conseguia produzir nele um sentimento que há muito tempo ele não sentia: o medo.
-O espírito ficará comigo. Tenho outros planos pra ele.
-Sim senhora.
Em seguida saiu da sala, e pouco tempo depois me colocaram numa cadeira de rodas e me levaram dali, deixando mais uma vez Eduardo só. E por mais que ele tentasse pensar em outra coisa... Já tinha perdido todas as esperanças.
...
Consegui ficar lúcido por um instante, e era como se o simples fato de respirar me causasse dor. Sentia meu estômago engolir meus outros órgãos, e só o fato de tocar um osso no outro com um pouco mais de força já me causava estúpida dor, minha língua seca não conseguia pronunciar uma única palavra.
Abri os olhos.
Percebi então que só podia ser outro devaneio.
Estava em um imenso salão, ocupado por várias pessoas, que me observavam de longe e comentavam uns aos outros. Todos muito bem vestidos bebiam em suas taças e comiam seus petiscos distribuídos por garçons aqui e ali.
Uma festa de gente rica.
O que estou fazendo aqui?
De repente, comecei a ouvir uma voz que vinha de todos os lados:
“... Absorveu mais de 5 imortais, sendo um deles, Leonardo Callaski no incidente que todos devem ter ouvido falar. O lance mínimo é de cinco milhões.”
De repente algumas pessoas começaram a levantar os braços, então vi um velho, reconheci na hora:
Senhor Musagi! O que ele estaria fazendo ali?! Afinal, onde eu estava?! Droga... Meu corpo mal conseguia se curar, devido a minha desnutrição. Estava totalmente indefeso ali.
Lutava com todas as forças para continuar acordado. Minhas pálpebras pesavam... Meu corpo não resistia.
Depois de algumas pessoas levantarem seus braços ouvi um grande burburinho de conversa, então ouvi a voz que vinha de todos os lados, dizer:
“- Vinte e cinco milhões do senhor ali, alguém dá mais? Não? Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Vendida ao senhor de sobretudo. Sua mercadoria será entregue ao fim do leilão.”
Então fui levado dali, mas assim que saí, notei um outro na cadeira de rodas sendo empurrado para onde eu estava, o centro do salão. Aquilo era um leilão... Mas o que estava sendo leiloado?
Levaram-me a uma sala, onde me amarraram há uma maca. Procurei por Eduardo, não o vi. Comecei a me preocupar... Mas agora era tarde, estava fraco demais. Não consegui agüentar... Quase morri de novo.
Então os sonhos começaram novamente...
Tudo passou. A dor, a agonia, o desespero.
Só restou-me a paz.
Um conforto degustado por cada músculo, cada sentido, cada partícula de meu corpo.
Não... Eu não queria acordar.
A realidade é brutal demais pra mim.
Quero continuar a sentir essa paz que me assola o corpo.
Então permaneci imóvel, naquele conforto, nem mesmo ousei abrir os olhos.
Não, de modo algum podia acordar de novo para aquele desespero todo.
Então horas se passaram.
E a paz se manteve.
De repente senti vontade de urinar, não me segurei, apenas deixei fluir... Senti o liquido quente derramar sem nenhum pudor.
Opa! espera um momento! Havia algo errado... Eu senti?! Mas que merd...!
Subitamente me levantei de uma cama, havia acabado de me mijar todo. Ainda nervoso, procurei saber onde estava, então vi um quarto bonito. Tudo bem arrumadinho e limpo.
Quer dizer... Pelo menos estava até a última gota de urina sair do meu corpo.
Senti uma dorzinha no braço, vi um pouco de sangue escorrer de um pequeno furo.
Vi então a bolsa de soro, e a agulha que levava o soro ao meu corpo caído no chão... Devo ter derrubado ao levantar subitamente.
Alguém estava cuidado de mim. Isso me pareceu muito estranho...
No corpo, estava vestindo somente um calção folgado.
Tentei procurar na minha mente, alguma lembrança que me fizesse sentido.
Então me lembrei da dor, de Eduardo, da vampira, do leilão...
Ainda estava muito envergonhado pelo que havia feito, quando decidi olhar pela janela.
Então reconheci onde estava: na casa do senhor Musagi, subitamente tive a lembrança dele naquele leilão esquisito... Esse japonês me deve muitas respostas. Instantaneamente procurei por minha espada no quarto, porém só encontrei minhas roupas.
Logo me vesti ainda sentido vergonha pelo inesperado acontecido de ainda pouco.
Então saí do quarto, com passos sorrateiros, como um ladrão a invadir uma casa. Não sabia o que me esperava.
Desci as escadas em direção a sala, foi quando o vi sentado em uma poltrona. De frente, como se já me esperasse. Logo que me viu, perguntou:
-Já se sente melhor?
-Sim. - respondi ainda desconfiado.
-Sente-se, creio que tem muitas perguntas.
Fiz uma rápida vistoria com os olhos de todo o local, não notei nada suspeito. Então me sentei.
E a primeira coisa que perguntei foi:
-Cadê Eduardo?
-Quem?
Ele pareceu surpreso com minha pergunta. Tentei explicar:
-O meu amigo. Fantasma. Estava com a vampira... Cadê ele?
-Provavelmente ainda está com ela.
-Como assim?!
-Só consegui comprar você. Não vi nenhum fantasma no leilão.
-Me comprar? Mas que... Por quê?
-A vampira que lhe seqüestrou, é uma caçadora de imortais. Ela caça imortais no mundo todo.
-Ah merda... Mas por quê?
-O sangue. Quanto mais forte o imortal, mais poderes é possível de encontrar em seu sangue. É assim que ela ganha a vida, leiloando imortais para outros vampiros que desejam poder.
-Então eu era uma mercadoria e você me comprou?
-Exato.
-Por quê? Quem é você afinal de contas? É como se já soubesse que eu estaria hoje aqui desde o primeiro dia que pisei nesta casa!
-Sou um imortal, assim como você.
-E por que não me avisou antes?!
-Mexeria muito com sua cabeça.
-Droga, então por que me deu aquela maldita espada?
-Só por precaução. Havia uma possibilidade remota de você não ser sugado por tudo isso.
-E aquele cara... Que eu matei...?
-Outro imortal, escravo de Eva. A vampira que lhe prendeu.
-Eva? Mas que diabo de nome clichê da porra.
-É apenas como ela é conhecida. Provavelmente não é seu nome verdadeiro.
-Certo... Então, ele foi apenas uma isca?
-Digamos que sim... A vampira costuma usar escravos imortais para que possam absorver outros imortais e assim aumentar seu poder, e valor no leilão. No entanto, ela não esperava que você vencesse, mas como venceu... Decidiu não sair no prejuízo, então te seqüestrou e o vendeu.
-Maldita... Então, como faço pra ter meu amigo de volta?
-É algo muito complicado...
-Diga como! Eu farei de tudo.
-Terá que seqüestrá-lo de volta, é a única maneira.
-Então eu o farei!
-Interessante. Acha que você sozinho vai conseguir se infiltrar no castelo de Eva e roubar um de seus “brinquedos” tão fácil?
-Tenho que tentar.
-Acho que não conhece os riscos garoto...
-Eu fiquei preso sem água ou comida por dias, num buraco escuro, por milhões de vezes desejei morrer por que só o fato de respirar queimava meus pulmões, tive que ver meu melhor amigo perder todas as esperanças em mim... Sou sua única saída... Fodam-se os riscos!
-Certo, então... É um garoto de personalidade forte. Acho que devo ajudar.
-Como assim?
-Você já matou alguns imortais, certo? Absorveu-os.
-Sim...
-Então possui muitos poderes. Só que ainda não os conhece.
-Poderes?
-Sim. Eu o ajudarei.
-Ajudar? Por quê?
-Porque Eva é minha inimiga também.
-O que ela lhe fez...?
-Algo há muito tempo... Mas o importante que saiba por agora, é que estou do seu lado, e lhe ajudarei a ficar muito mais forte.
-Então vai ser meu mestre?
-Creio que sim.
-E que tipo de treinamento terei?
-Hum... Se eu contar agora, provavelmente irá desistir.
Continua um dia... (ou não).