segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ínfinus Parte 5

Trazendo mais um capitulo desta saga!
Espero que curtam.



Ínfinus
Parte 5

“O primeiro”.
Era assim que o chamávamos.
O primeiro imortal que encontramos desde meu despertar.

Engraçado como tudo começou inocentemente dentro de um ônibus:
-Cara, desde que você começou a andar com essa espada pra cima e pra baixo, tou com medo de ti.
-Não se sente mais seguro comigo assim?
-Definitivamente não. Por que mesmo essa fixação?
-O seu japa disse que eu devia sempre carregá-la comigo.
-E daí?
-E daí o quê?
-Ah... Nada, deixa pra lá. Tu tem cada ideia.
-Eduardo...
-Quê...?
-Aquelas duas garotas estão nos encarando.
-Quais...?
-Aquelas que estão nas cadeiras aqui do lado, mas olha discretamente.
-Hum...
-“Hum...” o quê?
-São bonitas.
-Também achei. Que acha?
-De quê?
-De a gente puxar assunto.
-Tem alguma ideia?
-Pera... Deixa eu pensar um pouco.
Mas nem foi necessário, porque de repente, as duas se viraram pra gente e perguntaram:
-Ei... Vocês sabem como a gente faz para chegar à praia?
-Vixe... Vocês tão no ônibus errado. -Respondi.
-Droga... É que não somos daqui da cidade, sabe? Queríamos visitar a praia, mas estamos bem perdidas...
Eduardo explicou:
-Na verdade, este ônibus vai pro terminal, de lá, é só pegar o ônibus correto, nem precisa pagar outra passagem.
-Ah... Que bom! Mas assim... Vocês podem auxiliar a gente? Tipo... Levar a gente até lá... Porque do jeito que somos tapadas, vamos acabar em outro ônibus errado.
-O que acha Eduardo?
-Acho que não preciso chegar cedo em casa hoje.
-Ai que bom!

As duas sorriram animadas com a ideia. Era óbvio que a gente tinha faturado as molecas, nunca deram tão mole pra mim em tão pouco tempo.
No percurso até a praia começamos a conversar, as duas garotas eram bem legais, vinham de outro estado. Mas pra ser sincero, isso pouco me interessava, o que eu realmente queria era me dar bem!
Como Eduardo era bem mais tímido e sensível, deixaria até ele escolher qual tinha gostado mais, já que sempre fui um bom amigo.
Chegamos à praia no fim da tarde. Como era meio de semana, a praia estava quase deserta. Caminhamos um pouco, à beira-mar. Descontraídos, a nos divertir. E ao acaso nos afastávamos mais ainda da parte civilizada... Até que uma das garotas disse algo, que me fez dar um sorriso discreto, mas muito mal intencionado.
-Vamos para trás daquelas Dunas!

O lugar era completamente deserto, e as dunas formam uma parede que lembra uma onda congelada bem no seu “quebrar”. Desse jeito era impossível alguém da praia olhar o que se passava ali, e vice-versa. A sombra que a duna fazia era extensa, e fazia o lugar como um grande salão meio arredondado.
O céu ainda alaranjado dava um clima bem cinematográfico.
As meninas correram até o pé da Duna, arrastando Eduardo por um braço em uma brincadeira. Fui atrás andando devagar...
Ainda tava longe quando vi uma delas abraçar Eduardo por trás. Na minha cabeça pensamentos pervertidos se somaram, e desta vez não pude conter o sorriso enquanto me aproximava.
Mas só quando estava há uns cinco metros percebi que algo estava errado. Tinha algo próximo à garganta de Eduardo, algo metálico... E quem segurava era uma das garotas. Quando percebi que era uma faca, minhas pernas tremeram.
-O que é isso garotas?
Minha voz saiu tímida, como quem tenta descobrir a brincadeira.
As feições delas mudaram totalmente.
Percebi que Eduardo estava muito nervoso, sentindo o metal gelado pressionado com força contra sua garganta. Elas se mantiveram caladas. Tentei dizer mais alguma coisa.
-Que brincadei--
Subitamente senti um peso sobre minha cabeça e um aperto forte no coração.
Uma presença atrás de mim me fez, com o reflexo, me jogar ao chão.
Quando caí e olhei para trás vi um homem, de terno, cabelos até o ombro, lisos, esvoaçantes pelo vento da praia e uma espada nas mãos. Estava em posição de luta.
Ele fez um comentário que eu estava nervoso demais pra entender:
-Malditos reflexos aprimorados.
Se eu havia entendido bem, aquele cara acabou de tentar arrancar minha cabeça com uma espada!
E por que só de olhar pra ele sentia uma sensação ruim apertando meu peito?!
Nem pude pensar muito, instantes depois ele já estava vindo em minha direção, pronto para me esquartejar.
Tentei correr, mas ele foi rápido, fez um corte em minhas costas, que por sorte a mochila protegeu. A coitada foi rasgada ao meio, derrubando todos os meus livros, e mais outro objeto enrolado em panos.
O homem me encarou e disse:
-Fique parado, e me deixe acabar logo com isso.
-Tá Louco?! Cê quer que eu fique parado enquanto tenta arrancar minhas tripas?!
-É só sua cabeça, garanto que nem vai se dar conta.
Droga! O maldito quer mesmo me matar...
Se eu conseguisse correr, talvez pudesse fugir... Mas e Eduardo?! Deixaria ele?! Meu coração parecia que ia explodir com tudo acontecendo tão rápido.
Tenho que fazer alguma coisa para ajudar Eduardo. Tenho que pensar em algo!
Talvez se eu conseguir fazer ele se distanciar... Depois eu consiga voltar, me aproximando das duas garotas... Então, aí eu poderi---
Subitamente dei outro passo para trás, desajeitado, e me esquivei de outro corte, e ele não parou, usou uma seqüência de golpes cortantes, tentava desviar de todas as maneiras, mas mesmo assim via linhas de sangue jorrando. Meu sangue.
Numa brisa, a areia tocou meus ferimentos. E como infernos aquilo ardeu!
Só então me dei conta do meu estado: Uma poça de sangue já se formava aos meus pés, respirava forte, estava cansado, meu corpo tremia.
O homem à minha frente se mostrava frio, inalterável.
Foi quando meus reflexos não mais me ajudaram.
Senti a espada perfurar meu tórax, como uma brasa de ferro, queimando todos os meus órgãos.
A visão escureceu, não consegui respirar.
Na agonia, me esforçava, puxando ar dos meus pulmões vazios.
E quando finalmente consegui me desengasgar, vomitei sangue.
Então, em um movimento rápido ele removeu a espada, com o impulso, caí de joelhos.
Meus músculos estavam dormentes, minhas pernas estavam fracas.
Já era noite, o frio tomou conta de meu corpo.
Vi a lâmina da espada brilhar... Droga! A espada!
Corri em um ato de desespero para onde estavam os restos de minha mochila, ouvi os passos dele me seguindo, vi a espada enrolada em um pano, estiquei o braço pra pegá-la... Faltavam só alguns centímetros...
Foi quando vi quatro dos meus dedos serem cortados fora.

Não sei exatamente porque, mas aquilo não me parou.
Rapidamente com a outra mão, peguei a espada e fiz um corte em forma de arco na direção dele. Mas o desgraçado foi suficientemente rápido para se desviar...
Ele não demonstrou estar nem um pouco surpreso, ao também me ver com uma espada, pelo contrário, pareceu que já esperava, e ainda disse:
-Certo... Vamos acabar logo com isso.

continua...

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