segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pronto, mais uma parte do conto.

Boa leitura!



Ínfinus

Parte 3



-Você está aí, Ínfinus? Eu não consigo ver nada... Estou preso! Por favor, diga algo!


Acordei com a voz de Eduardo, meu pescoço ainda doía como um maldito torcicolo:

-Estou aqui... Droga... Tou arrebentado...

Estava amarrado ao chão por alguma coisa de ferro gelada em um lugar sem nenhum sinal de luz. Eduardo estava nervoso:

-Cara, estou cego... E ela pode me ver! Ela conseguiu me prender de algum modo... Onde você está? Está tudo bem?

-Sim... Estou bem... Mas ainda meio tonto... Acho que estou acorrentado.

-Você consegue ver algo...?

-Não...

-Quem é ela?! Já tinha visto?

-Não sei... E estou com medo de descobrir. Como ela conseguiu te ver?

-Eu não sei...! - A voz de Eduardo ainda estava apavorada.

-Como ela te prendeu?!

-Depois que ela te pegou, ela me encarou, e falou umas palavras que não entendi! Então vi um clarão, como se queimassem meus olhos! Aí não consegui ver mais nada! Aí, depois me senti arrastado por algo... Mas nada podia fazer, nem mesmo me mexer... Tinha alguma coisa muito estranha acontecendo, mas eu não podia fazer nada! Algum tempo depois, percebi que estava nesse lugar... Já consegui me movimentar, mas não consigo andar mais que dois passos...

-Por que não...?

-Tem algo me puxando.

-O quê?

-Não sei! Continuo cego! Mas é algo como uma força não palpável...

-Uma “força”?!

-Eu não sei o que é!

-Merda, eu também continuo sem ver nada... Mas fique calmo, vamos resolver isso...

-Cara... Estou com medo... Essa mulher não é normal. Como ela conseguiu me ver? E me prender?!

-Isso é muito estranho... Será que ela quer minha cabeça...?

-Te absorver?

-Sim...

-Acho que não... Se não, já teria feito! Por acaso não percebeu que facilmente ela te dominou?!

-O que diabos então ela quer comigo? O que tenho de importante fora a imortalidade?!

Antes que Eduardo pudesse comentar mais alguma coisa, ouvimos passos se aproximando. Um calafrio me correu a espinha, eu realmente estava com medo. Era a mesma sensação da primeira vez que encontrei um imortal. Um peso sobre a cabeça... Algo que me dominava, enrijecia meus músculos e me tornava inútil.

O silêncio nos dominou.

Uma porta se abriu a minha frente, a luz perfurou a escuridão e machucou meus olhos.

Então a porta se fechou de novo antes que eu pudesse ver qualquer coisa.

Passos se aproximaram de mim e instantes depois senti sua presença à minha frente.

-Quem é você? -Tentei manter a voz firme, meu coração estava acelerado.

Não houve resposta.

Senti umas de suas mãos segurar com força o meu cabelo, puxou minha cabeça para o lado, esticando meu pescoço dolorido. Com a outra mão arranhou delicadamente meu pescoço, como se analisasse o machucado que outrora ela havia feito.

E então senti sua respiração tocar meu pescoço. Tentei gritar:

-Quem é vo--

Minha voz foi cortada pela sensação de sentir todo meu sangue ser puxado pra fora com um beijo sufocante. A mulher havia fincado os dentes em meu pescoço!

Merda...!

Ela estava mesmo me bebendo pelo pescoço, como um suco de caixinha.

Sentia suas presas folgarem e apertarem novamente à medida que dava goladas em meu sangue. Senti meu corpo ficar dormente, algumas partes começaram a formigar.

Estava totalmente indefeso. Nenhum som era emitido. Nem de mim, nem dela.

E então ela bebeu, bebeu até que não restasse nada no meu corpo.

Bebeu até que a sensação de “quase-morte” me tomasse novamente, uma agonia de tentar morrer e não conseguir. Como aquilo era horrível! Toda a dor que já havia conseguido nessa loucura toda, não era um milésimo do que essa maldita sensação me provocava.

E a única coisa que eu conseguia pensar a uma altura dessas, era que havia feito duas grandes descobertas: a primeira era que vampiros realmente existiam... E a segunda era que eu estava definitivamente fodido.

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