terça-feira, 27 de abril de 2010
PRIMEIRO AMOR, ULTIMA CHANCE.
As vezes eu encontro antigos textos feitos por mim, e quando leio, volto no tempo. Começo a sentir as mesmas sensações e emoções, de quando escrevi. E esse texto aí, é um deles... Algo de algum passado remoto...
Vou dedicar este conto... A uma garota que gosto muito... Minha querida 'Lady Mayrla'!
Tou devendo um conto pra ela já faz muito tempo! Desculpa amor, é que sou inrresponsável mesmo!
Então é só...! Boa leitura!
Primeiro Amor, Ultima Chance.
É engraçado como as vezes as coisas podem acontecer... Quando digo engraçado, quero dizer de um jeito “inesperado” e não engraçado no sentido “feliz” da coisa. Mas a vida é assim mesmo, cheia de ondulações. As vezes bem pequenas, mas já são o suficiente para te fazer tropeçar e cair de cara no chão... Outras vezes essas ondulações são longas, o que torna o caminho uma subida dura e cansativa.
Mas quando você chega no topo e pode ver tudo lá de cima... A impressão é que finalmente venceu. Mas deve ter o máximo de cuidado, pois bem a sua frente a descida é longa, e a queda pode ser fatal.
Agora você me pergunta: por que diabos eu insisto em filosofar o óbvio? Coisas que estão escritas em qualquer livro idiota de auto-ajuda! Coisas que todo mundo já sabe e que normalmente as pessoas insistem em repetir através de novelinhas, filmes e até comerciais.
Simplesmente para fingir que este relato trará alguma coisa de importante para sua vida. O que provavelmente não vai contecer! Afinal, no que as experiências, de um jovem de 21 anos, podem ajudar?
Provavelmente nada.
Tudo começou quando de repente ela me olhou diferente. Não sei se foi o alcool do momento... Talvez o jogo de luz.
Mas ela me olhou diferente, eu pudi sentir. Não era mais aquele olhar inocente, era um olhar mais direto. Mais complicado. Ela não me via mais como seu “amiguinho”, e sim como um homem.
Tanto é que acabamos fazendo sexo no banheiro daquela festa.
A conheci muito tempo atrás... E vale a pena o flashback, pelo menos pra mim!
Tudo começou na sexta série do ensino fundamental, na época, meus hormônios estavam começando a se manifestar... E mesmo assim eu não tive coragem de dizer o que sentia. Nossa relação era intima e amigável a ponto de nos xingarmos sem nem ao menos ligarmos pra isso. Mas mesmo assim não tive coragem de dizer nada sobre o que sentia, já que aquilo tudo era muito novo pra mim...
Ao final do ano nos separamos.
Não houve despedidas, nem choro, nem conversa. A rotina era tanta, que nem mesmo me dei conta que no outro dia não haveria aula... E talvez nunca mais eu a visse de novo.
Passaram-se alguns anos... E lá estava eu, no ensino médio. Bem diferente daquele moleque da sexta-série. Não usava mais o cabelo de qualquer jeito ou caido pra frente, como fazia quando não me preocupava com estetica... Ou seja, quando ainda não me interessava por arranjar uma namorada.
Agora passava dez minutos na frente de um espelho, e a base de muito gel conseguia moldá-lo de forma que meu cabelo parecesse mechas dos desenhos animados japoneses, duas correntes enfeitavam meu pescoço, roupas largas, andar morto, sorriso debochado. Esse era eu aos dezesseis.
Então de repente, em um dia como outro qualquer, depois das férias de julho, entrei na minha turma cumprimentando a galera que não via fazia certo tempo, rindo com as apresentações, me aproveitando dos abraços femininos. O professor ainda não estava em sala, era aquele momento de descontração antes da aula. De repente alguem perguntou ao meu ouvido:
“-Quem é a gatinha?”
Foi quando olhei meio lá no fundo, procurando:
Era ela.
Aparentava meio desconfortável por não conhecer nimguém, mas num instante depois nossos olhares se encontraram. E demorou menos de um piscar de olhos para ela me reconhecer, e um sorriso bem lentamente ir se formando em seu rosto, até que não se conteve, e soltou quase uma gargalhada, foi obrigada a tampar a boca com a mão.
Ela realmente estava feliz em me ver. De repente uma alegria súbita me tomou. Também não consegui segurar o riso, mesmo querendo, pois eu ia parecer um bobão se chegasse lá todo sorridente. Fui até lá com cara de quem não acreditava no que via... Ela se levantou da cadeira, ficando de pé na minha frente. Houve um abraço. Apertado e firme.
-Eu não acredito! Gil, voce mudou um bocado! - Sua voz me soou tão familiar, que por um leve instante olhei pra ela e vi aquela menina de 14 anos da sexta série. Seu rosto não havia mudado muito, nem mesmo a forma de pentear os longos cabelos cacheados... Já no seu corpo, era óbvio que ela não era mais uma garotinha, ainda que a farda escolar não lhe favorecesse.
-Caramba... Lana... Tou sem palavras. -Eu ainda estava meio supreendido, ela continuou:
-Não sabia que você estudava aqui... Mas que bom! Eu tava me sentindo tão estranha por não conhecer nimguém! Cê vai sentar aqui do meu lado, né?! Diz que vai! Por favor!
-Tá bom... Mas vou logo avisando que sou ruim de pesca!
E de repente começamos nos ver quase todos os dias, durante um pouco mais de seis horas por aula, o incrível que continuamos tão amigos quanto da ultima vez que nos encontramos. Eu sentia que ainda gostava dela... Mas a situação de repente se complicou.
Havia uma garota, da escola, que eu passei os seis primeiros meses do ano “cortejando”. Ela era bem legal, sentia que me dava brecha, mas vivia a me enrolar, e nunca havia me dado uma resposta durantes esses seis meses... Mas assim que começou a me ver com Lana, parou de falar comigo. Fui atrás dela... Queria saber porque ela estava tão estranha.
Sua resposta foi um beijo seguido de um: “Eu te quero só pra mim!”. Um mês depois começamos a namorar. Eu e Lana continuamos bastante amigos, afinal eramos da mesma sala, e ela nunca demosntrou ciúme algum de minha namorada, o que sempre me fez pensar que ela não sentia nada por mim além de amizade... E eu retribuía a altura, afinal já tinha uma namorada bonita.
Então, novamente o ano terminou. O último dia de aula foi um tanto trágico pra mim.
Estávamos eu e Lana a conversar, enquanto cabulavamos a última aula do ano no andar superior da escola, sentados a escada, um ao lado do outro.
-É... O ano terminou. -joguei a frase no ar, como quem refletia o momento.
-Verdade... -Lana estava calada. Não costumava ser assim. Mas fiquei na minha, sabia que ela não gostava muito de ser questionada sobre seus problemas, quando queria conversar ela mesmo avisava.
-Foi bom, né? -perguntei. Ela não respondeu, ao invés disso me fez outra pergunta:
-O quê?
-A gente ter se encontrado de novo.
-Ah. -apenas abriu a boca como quem não está afim de falar e só confirmou:
-Foi. Muito bom.
Apenas ri.
-O que foi? Ta rindo de quê?
-Sei lá... Você com essa cara de quem não comeu hoje... É engraçada.
Ela riu, e me beliscou o braço:
-Ah, vai te lascar...
-Ai! -reclamei pelo beslicão.
-Sua bixinha, eu nem beslisquei forte!
-Bixinha, é? Ce vai ver agora!
Então a apertei forte em um abraço, nossos rostos ficaram a milimetros de distância, nossos olhos se encontraram, eu continuei com um sorriso no rosto, mas ela me olhava de forma diferente, séria. Perguntei sem entender o que passava na sua cabeça:
-O que foi, menina?
De repente ela acabou com o espaço vazio, entre meu rosto e o dela.
Senti seus lábios tocarem os meus, mas eu permaneci imóvel, ela também.
Apenas os lábios se tocaram, não por completo, não chegou nem a ser um “selinho”, apenas se tocaram, quase ao acaso. Ficamos ali, naquele quase beijo uns trinta segundos, era como se estivéssemos decidindo.
-Porque você é tão perfeita? -as palavras sairam sem eu querer, como se o meus olhos já disessem isso, mas só o fato de mexer a boca pra falar fazia nossos lábios terem mais contato ainda.
-Você tem namorada. -sua voz saiu cochichada, ela queria convencer a si mesma, de que aquilo era errado, houve novamente o roçar de lábios.
-Perfeita. -não consegui ouvir o que ela disse, só queria sentir o máximo possivel aquela boca tocando a minha.
Ela se afastou. Me deu tchau, com um sorriso triste, e foi embora.
Não consegui pensar no que fazer. Não conseguia nem assimilar direito o que havia acontecido.
Nunca mais á vi, e no final do dia eu já estava sem namorada. As coisas desandaram e ela terminou comigo.
Sem namorada e sem Lana.
Parece que de repente, eu não tinha mais nada. Nem mesmo um colégio pra ir.
Enfim... Voltando a festa.
De repente estamos aqui, nos reencontrando.
Não foi romantico, e nem foi muito bom. O local não era muito confortável, a música muito alta não permitia nenhum tipo de comunicação direta, mudávamos de posição de cinco em cinco minutos, sentia dores musculares quando o negócio começava a ficar gostoso... Enfim, uma transa, sem proteção, de dois bêbados no banheiro de uma festa.
Mas pra mim o que valeu, nem foi o sexo com a garota que foi minha primeira paixão de colégio, mas sim o que veio depois. O olhar que ela me deu naqueles 4 segundos e meio de silêncio, no intervalo de uma música pra outra...
Sei lá, mas aquele olhar de satisfação... Como se realmente valesse a pena cada minuto naquele banheiro sujo. Como se ela tivesse ganho a noite com aquilo, e agora podia ir pra casa com um sorriso gigantesco no rosto, como se eu fosse importante pra ela!
Depois de sairmos do banheiro, só pudi perguntar uma coisa antes de vê-la sumir entre a multidão:
-Está bêbada demais pra se lembrar de mim amanhã?
-Eu não bebo.
De repente meu coração estava sorrindo. A vontade que tinha era de gritar no microfone do Dj: 'Amanhã ela vai se lembrar!'
Mas só que pudi fazer foi dar um tapinha nas costas de um cara que vomitava as tripas do meu lado por beber demais, e dizer:
-Amanhã ela vai se lembrar...!
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Caralho, esse ficou muito massa mesmo. Botei fé demais.
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